Enquanto a estiagem castiga severamente o Oeste potiguar, municípios da região adotam posturas distintas diante da crise hídrica que atinge, sobretudo, a população da zona rural. Em Paraú-RN, a Prefeitura anunciou oficialmente o cancelamento do Carnaval 2026, decisão motivada pela falta de chuvas e pela necessidade de priorizar recursos públicos para ações emergenciais de enfrentamento à seca.
Em nota divulgada nessa segunda-feira (19/01/2026), a gestão municipal de Paraú-RN informou que os recursos que seriam destinados à festa momesca serão redirecionados para medidas consideradas essenciais e urgentes, com foco no apoio às famílias mais afetadas, especialmente agricultores e moradores da zona rural. A Prefeitura ressaltou que a decisão está fundamentada em responsabilidade fiscal, sensibilidade social e compromisso com o interesse público.
Em sentido oposto, o município de Almino Afonso-RN, que enfrenta a mesma realidade climática, confirmou a realização do Carnaval 2026, mesmo diante da seca prolongada. De acordo com informações já divulgadas, a Prefeitura pretende investir mais de dois milhões de reais no carnaval deste ano. A decisão tem gerado questionamentos e críticas por parte da população, sobretudo daqueles que convivem diariamente com os impactos da estiagem.
A crise no campo é visível. Agricultores e agricultoras, em especial criadores de gado bovino, enfrentam enormes dificuldades com a escassez de ração e de pastagem para os animais. Em busca de sobrevivência, muitos rebanhos têm sido colocados para pastar às margens das estradas, inclusive em rodovias estaduais (RNs), expondo animais e motoristas a riscos constantes de acidentes. Em alguns trechos, já é possível encontrar animais mortos, cenário que evidencia a gravidade da situação.
Diante desse contexto, a manutenção de uma festa de grande porte levanta um debate inevitável: há ou não crise no município? Para muitos, a opção por um Carnaval milionário, em meio à seca e ao sofrimento de quem vive da agricultura e da pecuária, passa a mensagem de que a realidade do campo não está sendo tratada como prioridade.
Resta agora à população aguardar pela tão esperada chegada das chuvas, na esperança de que tragam alívio ao homem e à mulher do campo. Até lá, o contraste entre as decisões administrativas de municípios vizinhos evidencia que, mais do que falta de chuva, o momento exige escolhas responsáveis, sensibilidade social e compromisso real com quem mais precisa.