Um levantamento das eleições municipais de Almino Afonso-RN, entre 2004 e 2024, revela que o grupo político liderado por Bernardo Amorim registrou média de 2.577 votos nas disputas pela Prefeitura, contra 1.624 votos das candidaturas adversárias. Em 2026, Dr. Bernardo voltou a alcançar votação próxima dessa média no município, ao receber 2.609 votos na eleição para deputado federal.
Uma análise dos resultados eleitorais de Almino Afonso-RN, considerando as eleições municipais realizadas entre 2004 e 2024, permite observar a trajetória dos dois principais agrupamentos políticos que disputaram a Prefeitura ao longo dessas duas décadas.
De um lado, estão os candidatos Dr. Bernardo César, em 2004 (2.601 votos); Lawrence Amorim, em 2008 (2.473 votos) e 2012 (2.561 votos); Waldênio Amorim, em 2016 (2.826 votos); e Dra. Jéssica Amorim, em 2020 (1.980 votos) e 2024 (3.23). Do outro, as candidaturas adversárias que participaram de cada disputa: 2004 Cleilson Carlos (1.665 votos); 2008 Ademirton Carlos e Zeca (1.711 votos); 2012 Godeiro, Cleilson e Zeca (1.880 votos); 2016 Godeiro, Rubinho e Zeca (1.422 votos); 2020 Dr. Netinho (1.665 votos) e em 2024 Marquinhos de Dé e Zeca (1.401 votos).
A soma das votações dos candidatos do primeiro grupo alcançou 15.464 votos nas seis eleições, resultando em uma média de aproximadamente 2.577 votos por pleito.
Já as candidaturas adversárias somaram 9.744 votos, com média de 1.624 votos por eleição. A diferença entre as duas médias é de 953 votos.
Na composição do grupo político de Jéssica, também é considerado Waldênio Amorim, seu tio, que recebeu 918 votos em 2020 e posteriormente apoiou a sobrinha. Por esse critério, sua votação integra a trajetória eleitoral do mesmo agrupamento.
Outro dado que chama a atenção aparece nas eleições gerais de 2026. Dr. Bernardo, apontado como uma das principais lideranças políticas do grupo no município e eleito deputado federal pelo Partido Verde, recebeu 2.609 votos em Almino Afonso-RN, correspondentes a 63,37% dos votos válidos para esse cargo.
A votação ficou apenas 32 votos acima da média histórica de 2.577 votos alcançada pelo grupo nas seis eleições municipais analisadas.
Além dos números, existe uma questão política que merece reflexão: a concentração da atuação oposicionista na Câmara Municipal.
Desde as disputas analisadas, pode-se levantar a hipótese de que a maior parte da oposição tem priorizado a manutenção de mandatos de vereadores e as articulações no Legislativo, sem conferir a mesma centralidade à construção de um projeto político para disputar a Prefeitura. É o que se pode chamar de permanecer na “bolha da Câmara”.
A eleição municipal, entretanto, não se resume à escolha dos vereadores. A disputa pelo Executivo exige também articulação política, apresentação de propostas, formação de alianças e construção de um projeto de administração para o município.
A oposição não deixou de apresentar candidatos a prefeito, mas os resultados históricos permitem questionar como suas forças vêm se organizando para as disputas majoritárias e proporcionais.
A média de 953 votos de diferença entre os dois agrupamentos nas seis eleições municipais é um dado que merece atenção no debate local. Em 2026, a votação de Dr. Bernardo para deputado federal, de 2.609 votos, ficou próxima da média histórica do grupo nas eleições para prefeito.
Esses números não representam garantia de repetição de resultados em eleições futuras. As alianças, os candidatos, as conjunturas e as regras eleitorais mudam. Mas oferecem uma referência histórica para compreender a distribuição das votações no município.
A pergunta que permanece é: a oposição continuará concentrando sua atuação política na Câmara Municipal ou ampliará sua organização para também construir um projeto de disputa pelo Executivo?
Sair da “bolha” significa olhar para os dois poderes municipais: Legislativo e Executivo. Significa discutir não apenas quem ocupará as cadeiras da Câmara, mas também quem pretende administrar a cidade e quais propostas serão apresentadas à população para os próximos anos.
A média de 953 votos é uma diferença entre médias aritméticas, não uma margem eleitoral permanente. A classificação dos grupos é política e histórica, não uma categoria oficial do TSE.
Fontes e observações: resultados municipais e votação de Dr. Bernardo em 2026, com dados eleitorais compilados a partir do TSE.