Os agricultores e agricultoras que vivem no sertão nordestino, especialmente no município de Almino Afonso-RN, enfrentam um dos períodos mais críticos dos últimos anos. A esperança, mais uma vez, está depositada no “inverno” - como é chamada a temporada de chuvas na região. Mas, até agora, a chuva não veio.
A estiagem prolongada já provoca escassez severa de pasto e de água, atingindo em cheio os criadores de gado bovino. Açudes, barragens e barreiros - pequenos reservatórios fundamentais para a subsistência no campo - estão secando rapidamente. Muitos já se encontram completamente vazios. Sem água e sem alimento, os animais começam a morrer, aprofundando o drama de famílias que dependem diretamente da agropecuária para sobreviver.
Diante dessa realidade, o cotidiano do sertanejo se resume à resistência e à fé. Todos os dias, homens e mulheres do campo pedem a Deus que as chuvas cheguem logo. Enquanto isso, recorrem também às instituições públicas, buscando alternativas para enfrentar a crise. Muitos agricultores já solicitaram empréstimos bancários, principalmente para a compra de ração animal, única forma de manter o rebanho vivo neste momento. No entanto, a demora na liberação desses recursos tem gerado apreensão e revolta.
A situação é tão grave que agricultores e criadores fazem um apelo direto aos políticos, especialmente àqueles que atuam na região, para que intervenham junto às instituições financeiras no sentido de acelerem a liberação dos recursos. Para eles, o tempo é decisivo, ou seja, cada dia de atraso significa mais prejuízo e mais animais mortos pela fome e pela sede.
O cenário de 2026 é ainda mais preocupante quando comparado ao ano anterior. Em dezembro de 2024, por exemplo, choveu 57,6 mm, o que garantiu algum pasto para a entrada de janeiro de 2025, mês em que ainda foram registrados 9,4 mm de chuva até o dia 7. No total, foram 67 mm, volume que, embora insuficiente para um inverno regular, permitiu ao menos a formação de algum pasto inicial.
Já em dezembro de 2025, a realidade foi completamente diferente, ou seja, choveu apenas 5,2 mm, volume incapaz de fazer nascer qualquer pastagem. Para agravar ainda mais a crise, em 2026, até o momento, não foi registrada nenhuma chuva. O resultado é um campo seco, sem água, sem pasto e sem perspectivas imediatas de melhora.
A crise vivida hoje no sertão potiguar, especialmente em Almino Afonso-RN, exige ações urgentes e concretas. Medidas emergenciais de apoio aos agricultores, agilização do crédito rural, reforço no abastecimento de água e políticas públicas voltadas à convivência com o semiárido não podem mais esperar.
O sertanejo resiste, mas não pode resistir sozinho. A estiagem não é novidade no Nordeste, porém a falta de respostas rápidas e eficazes transforma um fenômeno natural em uma tragédia social e econômica anunciada. Se nada for feito, o prejuízo não será apenas a perda de animais, mas o comprometimento da dignidade e da sobrevivência de centenas de famílias do campo.