O futsal de Almino Afonso vive dias bem diferentes daqueles que marcaram o mês de janeiro por quase duas décadas. Quem acompanhou de perto sabe: durante 18 edições, a Copa Regional de Almino Afonso, organizada por Jean Garotinho e Glaydson Magno, colocou o município no mapa do futsal do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.
Era uma competição privada, com apoio dos amigos parceiros, com inscrições pagas, ingressos para o público, arquibancadas cheias e, principalmente, futebol de alto nível. Doze equipes, quatro grupos de três, fórmula simples, justa e competitiva. Quem avançava, avançava por mérito. Quem caía, aceitava o resultado. O ginásio fervia, e janeiro em Almino Afonso tinha dono: o futsal.
A Copa Regional foi realizada ininterruptamente até 2024. E então, como num passe de mágica — ou melhor, por motivos políticos — surgiu a Copa Messias Rufino, criada pela Prefeitura Municipal de Almino Afonso, curiosamente no mesmo período do ano, com o claro objetivo de ocupar o espaço da competição tradicional.
A nova copa trouxe atrativos difíceis de competir: inscrições gratuitas para a maioria das equipes, entrada franca para o público e toda a estrutura bancado pelo poder público. Resultado? A Copa Regional, sem condições de concorrer de forma desigual, não resistiu e teve seus trabalhos encerrados.
O tempo passou. Apenas dois anos depois, o que se vê é um cenário preocupante.
A Copa Messias Rufino, que está indo apenas para seu 5ª ano e que nasceu para “substituir” a tradicional, chega à edição deste ano com apenas nove equipes inscritas e uma fórmula de disputa que beira o surreal: três grupos de três times, onde oito se classificam e apenas um é eliminado. Um regulamento tão generoso que a fase de grupos virou quase um amistoso oficializado.
A queda no número de participantes é drástica. De uma competição que reunia equipes interestaduais e elevava o nome de Almino Afonso, passamos para um torneio que luta para preencher vagas. A pergunta é inevitável: era esse o objetivo?
Sem a pressão da arquibancada paga, sem o compromisso financeiro das equipes e sem a rivalidade regional construída ao longo de anos, o nível técnico despenca. O ginásio continua aberto, os jogos continuam acontecendo, mas o brilho já não é o mesmo. O futsal perdeu o peso, perdeu o status e, principalmente, perdeu o respeito competitivo.
A Copa Messias Rufino será disputada de 11 a 17 deste mês, no Ginásio Poliesportivo Zilmar Leite Dantas, e merece reconhecimento pelo esforço de manter o esporte ativo. Mas os números não mentem: quando se acaba com algo que funciona por razões políticas, o prejuízo aparece — mais cedo ou mais tarde.
Hoje, Almino Afonso colhe o resultado de uma escolha que priorizou o confronto político em vez da construção esportiva. E o futsal, que já foi referência regional, paga a conta.
No fim das contas, ficou provado que não basta acabar com uma tradição para criar outra melhor. Tradição se constrói com tempo, seriedade, competitividade e respeito ao esporte. O resto é só torneio para cumprir calendário.
Foto: Instagran
FM Educativa
Por Jean Garotinho