sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Caso Douglas Rebouças expõe falhas graves e levanta questionamentos sobre investigação policial


A morte do jovem Douglas Rebouças, de apenas 20 anos, durante uma blitz policial realizada na madrugada do último sábado (10/01/2026), por volta de 1h40, segue causando comoção, revolta e fortes questionamentos, principalmente nos municípios de Lucrécia, Almino Afonso e Frutuoso Gomes, no Alto Oeste potiguar.

Segundo relatos de familiares, Douglas foi atingido por um disparo nas costas numa abordagem da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. A família sustenta que o jovem teria confundido a ação policial com uma tentativa de assalto, já que, conforme afirmam, os agentes não estavam devidamente identificados no momento da blitz. Douglas morreu ainda no local.

O jovem conduzia uma motocicleta e levava na garupa um primo de 15 anos de idade.  O crime ocorreu a poucos metros do trevo que dá acesso aos municípios de Lucrécia-RN (onde ocorreu o fato), Almino Afonso-RN e Frutuoso Gomes-RN.  

Douglas residia com os pais no Sítio Exu, zona rural de Lucrécia-RN, e atuava como assessor legislativo na Câmara Municipal de Almino Afonso-RN, onde foi sepultado.

Um dos pontos que mais levantam dúvidas sobre a versão oficial apresentada inicialmente pela Polícia Civil é que Douglas havia sido parado minutos antes em outra blitz, realizada pela Polícia Militar, que o reconheceu e, ao atender normalmente à abordagem, o liberou para seguir viagem.

A versão da Polícia Civil afirma que os agentes reagiram porque Douglas teria efetuado um disparo de arma de fogo e acelerado a motocicleta sem obedecer à ordem de parada. No entanto, os advogados de defesa contestam duramente essa narrativa, levantando um questionamento central: "Como Douglas estaria armado, se havia sido abordado minutos antes por outra força policial?"

A contradição reforça a suspeita de excesso e falha operacional, pontos que agora precisam ser esclarecidos de forma transparente e independente.

A indignação popular aumentou ainda mais quando veio à tona a informação de que, inicialmente, a própria equipe policial envolvida na blitz estaria conduzindo as apurações do caso. Para familiares e moradores, isso representa um absurdo institucional: possíveis responsáveis investigando a si próprios.

O resultado foi imediato. Familiares, amigos e moradores de Almino Afonso-RN e Lucrécia-RN saíram às ruas em protesto, seguindo em caminhada até a sede da 74ª Delegacia de Polícia Civil, localizada em Almino Afonso-RN, exigindo justiça, transparência e responsabilização.

Diante da grande repercussão do caso, ainda na manhã do mesmo dia, a governadora Fátima Bezerra determinou que a Delegada-Geral da Polícia Civil assumisse diretamente as investigações. Como primeira medida, a delegada afastou os policiais envolvidos na ocorrência, numa tentativa de garantir maior imparcialidade e credibilidade ao processo.

A decisão foi recebida com cautela pela população, que segue mobilizada e vigilante quanto ao andamento das apurações.

Informações indicam que a população pretende acompanhar o caso até o fim. Uma nova manifestação está sendo organizada para o dia da missa de sétimo dia, marcada para às 10h da manhã, na Igreja Matriz de Almino Afonso-RN. O ato deve reunir novamente moradores das cidades vizinhas, em um gesto coletivo de luto, protesto e cobrança por justiça.

O caso Douglas Rebouças escancara um debate antigo e urgente: quem fiscaliza os fiscalizadores? Quando o povo vai às ruas para externar sua indignação, a sociedade impõe limites ao abuso e cobra respostas. Quando se cala, o silêncio costuma favorecer apenas as conveniências do poder.

A população do Alto Oeste potiguar deixou claro que não aceitará uma investigação conduzida nas sombras, nem mais uma morte sem respostas. Justiça, neste caso, não é apenas um clamor - é uma exigência.