segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Neutralidade política e a clareza que o eleitor espera nas eleições de 2026


As eleições de 2026 começam a revelar uma estratégia política que chama a atenção, ou seja, quanto menor o grau de exposição antes das urnas, maior pode ser a liberdade para negociar depois do resultado.

No cenário nacional, partidos como MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e a Federação PSDB/Cidadania optaram por não declarar apoio a nenhum candidato à Presidência. A estratégia é vista como uma forma de preservar espaço político e manter abertas as possibilidades de alianças após a eleição.

A lógica é simples: independentemente de quem vencer, o próximo presidente precisará negociar com o Congresso para construir uma base parlamentar. Assim, manter diálogo com diferentes grupos pode representar uma espécie de “seguro político”, evitando que o partido fique associado a uma eventual candidatura derrotada.

Esse fenômeno também pode ser observado nas eleições proporcionais. No Rio Grande do Norte, PT, PCdoB e PV integram a Federação Brasil da Esperança, que participa da disputa estadual em torno da candidatura de Cadu Xavier ao Governo e de seus candidatos ao Senado.

Enquanto candidatos do PT e do PCdoB vêm apresentando em suas propagandas os nomes dos candidatos majoritários apoiados pela Federação, alguns candidatos do PV adotam uma estratégia diferente.

É o caso de Dr. Bernardo Amorim, candidato a deputado federal, e Kaline Amorim, candidata a deputada estadual. Em peças de campanha divulgadas até o momento, não aparecem, de forma destacada, nomes como Lula para presidente, Cadu de Lula para o Governo e os candidatos ao Senado apoiados pela Federação.

A situação chama atenção também porque, antes do início oficial da campanha, Bernardo e Kaline apareciam publicamente de mãos dadas com a governadora Fátima Bezerra (PT) e de seu grupo político.

Outro fato que despertou curiosidade ocorreu no último sábado (22/08/2026), durante o comício de lançamento das candidaturas de Bernardo Amorim (PV) e Kaline Amorim (PV). Realizado em uma região considerada estratégica para os dois candidatos, o evento não contou com a presença de integrantes da chapa majoritária da Federação, especialmente Cadu de Lula e Samanda de Lula, candidata ao Senado.

Isso significa rompimento político? Não necessariamente. A ausência de um candidato em uma propaganda ou em determinado evento, isoladamente, não permite chegar a essa conclusão.

Entretanto, diante da composição formal da Federação e da proximidade política demonstrada anteriormente, é natural que o eleitor faça perguntas: por que os candidatos majoritários não aparecem nas principais peças de campanha? Quais candidatos Bernardo e Kaline efetivamente apoiam para presidente, governador e Senado?

Um partido ou candidato pode escolher sua estratégia eleitoral e até preservar liberdade para futuras alianças. Mas o eleitor também tem o direito de saber com quem seu candidato pretende caminhar, quais projetos pretende fortalecer e quais nomes ajudará a eleger.

Afinal, votar em um deputado não significa apenas escolher quem ocupará uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal. Significa também contribuir para a formação de forças políticas que poderão influenciar os rumos do Estado e do país.

No fim das contas, alguns candidatos fazem questão de mostrar suas companhias. Outros parecem preferir que o eleitor descubra depois. Fica o alerta!