quarta-feira, 22 de julho de 2026

Comerciante critica camarote da Caieira Junina e questiona impacto econômico de evento milionário em Almino Afonso-RN

A estrutura de camarote instalada durante a edição de 2026 (foto) da Caieira Junina, tradicional São João fora de época realizado em Almino Afonso-RN, passou a ser alvo de críticas por parte de comerciantes locais. Em um áudio divulgado nas redes sociais, uma pequena comerciante afirmou que o espaço reservado comprometeu as vendas dos ambulantes e comerciantes instalados na praça do evento, reduzindo a circulação de consumidores e concentrando o consumo em uma área restrita.

Segundo a comerciante, a divisão física do público prejudicou diretamente quem dependia das vendas durante a festa para complementar a renda. Ela afirmou que diversos trabalhadores informais, como vendedores de alimentos, bebidas e lanches, tiveram prejuízos.

Na avaliação da comerciante, o modelo adotado pela organização acabou favorecendo o consumo dentro do camarote, enquanto os demais comerciantes enfrentaram dificuldades para comercializar seus produtos.  

Outro ponto levantado foi a própria adequação desse tipo de estrutura à realidade do município. Para ela, Almino Afonso-RN não possui um evento com dimensão suficiente para justificar a instalação de camarotes ou áreas exclusivas, defendendo que o público permaneça integrado em um único espaço, permitindo maior circulação e distribuição das vendas entre todos os comerciantes.  

A discussão ganha relevância diante das despesas realizados na edição deste ano da Caieira Junina. Somando contratos de atrações artísticas, estrutura, logística, segurança, divulgação e demais serviços, os gastos públicos com o evento se aproximaram de R$ 2 milhões para apenas dois dias de programação.

A crítica reacende o debate sobre o chamado legado econômico dos grandes eventos financiados com recursos públicos.  

Para pequenos empreendedores, um dos principais objetivos de um evento dessa magnitude deveria ser fortalecer o comércio local, permitindo que ambulantes, bares, restaurantes e vendedores autônomos obtenham retorno financeiro compatível com o investimento público realizado.

Por fim, a comerciante classificou a estrutura como uma "barreira" que dificultou o acesso dos participantes aos estabelecimentos instalados na praça e pediu que a Prefeitura reveja o modelo para as próximas edições da festa.