O tradicional Carnaval de Almino Afonso-RN carrega uma história marcada por desafios, superação e, principalmente, pelo esforço coletivo de pessoas que se recusaram a deixar a festa desaparecer. Entre esses nomes, um se destaca como símbolo de dedicação e amor pela cultura local: Antônio Nunes de Oliveira Sobrinho, conhecido carinhosamente como Lila.
Durante muitos anos, o Carnaval do município foi realizado no Barracão do Mercado Público Central, espaço que se consolidou como ponto de encontro dos foliões (famílias). No entanto, após interdição determinada pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio Grande do Norte, o evento precisou passar por uma transformação significativa.
A partir desse momento, a festa deixou o ambiente fechado e passou a ocupar a praça pública e as ruas da cidade. A mudança marcou uma nova fase do Carnaval alminoafonense.
Mesmo quando os festejos aconteciam no Mercado Público - espaço público, porém com eventos pagos - a realização do Carnaval enfrentava dificuldades financeiras. Os incentivos públicos eram mínimos, e muitas vezes os organizadores acumulavam prejuízos.
Foi nesse cenário que Lila assumiu um papel fundamental. Por anos, ele persistiu na organização das festividades, movido por um objetivo maior do que qualquer retorno financeiro, que era: promover o reencontro das famílias de Almino Afonso-RN. O período carnavalesco sempre foi um dos momentos em que pessoas de Almino Afonso-RN que vivem em outras cidades ou estados retornavam ao município para rever parentes e amigos.
Ao presenciar a cidade cheia e os conterrâneos reunidos, Lila via concretizado o seu maior propósito, que era fortalecer os laços culturais e afetivos da comunidade.
Esse pensamento encontra profunda sintonia com as palavras do arcebispo e defensor das causas sociais Dom Hélder Câmara, que afirmou: “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida.” Ao defender o direito do povo de brincar, sorrir e ocupar as ruas, Dom Hélder destacava o valor social e humano do Carnaval. Ele compreendia que, para quem enfrenta uma rotina marcada por dificuldades e privações, o Carnaval não é apenas uma festa, mas um respiro coletivo, um momento de dignidade e celebração da própria existência.
Da mesma forma, Lila enxergava o Carnaval de Almino Afonso-RN como algo muito além da diversão. Para ele, a festa representava o reencontro das famílias, o fortalecimento das raízes culturais e a reafirmação do sentimento de pertencimento do povo alminoafonense. Assim como defendia Dom Hélder Câmara, Lila acreditava que a alegria popular era também uma necessidade social e um direito de todos.
Embora o legado de Lila seja amplamente reconhecido, outras personalidades também tiveram papel importante para que o Carnaval de Almino Afonso-RN não fosse interrompido ao longo dos anos. Entre elas, destacam-se Leopoldo Nunes, Jean Garotinho e o artista local Wandan, que contribuíram para manter viva a essência cultural e festiva do evento.
O Carnaval que hoje movimenta as ruas de Almino Afonso-RN é resultado direto da persistência e visão de Lila. Sua dedicação ultrapassou desafios estruturais e financeiros, garantindo que a festa permanecesse como um dos maiores símbolos de identidade cultural do município.
Mais do que folia, o Carnaval local representa memória, pertencimento e união. E, por trás da alegria que toma conta das ruas todos os anos, permanece viva a lembrança de Antônio Nunes de Oliveira Sobrinho - Lila - cuja contribuição continua gravada na história e no coração da população.