O município de Almino Afonso-RN, enfrenta um cenário preocupante em relação às chuvas e ao abastecimento de água. Dados oficiais da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) mostram um contraste alarmante entre os meses de janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Em janeiro de 2025, choveu de forma significativa nos dias 4, 5, 12, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26, 27 e 29, acumulando um total de 220,4 milímetros de chuva no município. Já em janeiro de 2026, de acordo com os registros da EMPARN, foi contabilizado apenas 0,2 milímetro de precipitação, volume praticamente insignificante para a recarga dos reservatórios e manutenção das atividades agropecuárias.
A estação meteorológica responsável por esses dados está localizada na Rua Almino Afonso, onde funcionava o antigo Centro de Saúde Amélia Chaves e que atualmente abriga a Secretaria Municipal de Agricultura. Além disso, muitos agricultores do município possuem pluviômetros instalados em suas propriedades. O pluviômetro é um instrumento meteorológico utilizado para medir, em milímetros (mm), a quantidade de chuva em determinado local e período. Mesmo estando dentro do mesmo município, essas medições podem apresentar diferenças, o que é comum devido à irregularidade espacial das chuvas no semiárido.
A falta de chuvas tem gerado grande preocupação não apenas entre agricultores e criadores de gado, mas também entre os moradores da zona urbana. O único reservatório - Açude Público Lauro Maia - responsável pelo abastecimento da cidade encontra-se em estado crítico, praticamente seco. Para agravar ainda mais a situação, a água distribuída pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) já não apresenta condições adequadas para o consumo humano, segundo relatos da população.
Diante da escassez de pastagem, muitos criadores de gado bovino estão recorrendo às margens das rodovias federais e estaduais (BRs e RNs) para alimentar seus animais. O gado permanece solto ou em pastejo próximo às estradas, o que representa um sério risco à segurança viária, colocando em perigo motoristas, motociclistas e pedestres, além dos próprios animais.
As perdas no campo já são visíveis. Animais vêm morrendo por falta de alimento, e os prejuízos financeiros se acumulam. Produtores reclamam da ausência de políticas públicas efetivas para minimizar os efeitos da estiagem, como ações emergenciais, apoio com ração animal, perfuração e instalação de poços ou alternativas para garantir água de qualidade à população.
Com o início do mês de fevereiro de 2026, cresce a expectativa por uma mudança nesse cenário. No sertão nordestino, fevereiro é tradicionalmente associado à esperança de um inverno mais regular. Agricultores recorrem à fé em São José, conhecido como o santo da esperança do agricultor, pedindo chuvas que tragam alívio, garantam pasto para os rebanhos e evitem mais perdas.
Fica o apelo da população de Almino Afonso-RN para que os governantes municipais, estaduais e federais olhem com mais atenção para a situação. Os prejuízos já são muitos, enquanto as ações até agora têm sido consideradas mínimas. A esperança é que medidas urgentes sejam tomadas antes que a crise se agrave ainda mais.