
Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no
animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao
processo do “Mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de
bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando
à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação
dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.
De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela
causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua
formulação e na sua realização nos meios populares. Reconheço com dor
que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela
mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis. Muitos
sentimo-nos decepcionados, pois depositávamos neles a esperança de que
seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance
de mostrar um exercício ético do poder na medida em que este poder
reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e
democrático. Lamentavelmente houve a queda. Mas ela nunca é fatal. Quem
cai, sempre pode se levantar. Com a queda não caiu a causa que o PT
representa: daqueles que vem da grande tribulação histórica sempre
mantidos no abandono e na marginalidade. Por políticas sociais
consistentes, milhões foram integrados e se fizeram sujeitos ativos.
Eles estão inaugurando um novo tempo que obrigará todas as forças
sociais a se reformularem e também a mudarem seus hábitos políticos.