domingo, 16 de agosto de 2026

Acabou a pré-campanha: agora é hora de mostrar propostas, realizações e, sobretudo, a verdade


A partir de hoje, 16 de agosto de 2026, começa oficialmente a propaganda eleitoral das Eleições Gerais de 2026. É o momento em que a disputa eleitoral deixa para trás a fase da pré-campanha e entra, efetivamente, no período em que candidatas, candidatos, partidos, federações e coligações poderão apresentar suas propostas ao eleitorado e pedir votos, observadas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirma que, hoje (16/08/2026), a propaganda eleitoral pode ser realizada inclusive pela internet. Isso alcança sites, blogs, redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais, dentro das regras estabelecidas para a campanha.

É, portanto, chegada a hora de falar ao eleitor com clareza. É hora de apresentar propostas. É hora de discutir os problemas do Brasil, do Rio Grande do Norte e de cada município. É hora de mostrar o que cada candidatura pretende fazer. Mas é também - e talvez principalmente - hora de mostrar o que já foi feito.

Nas eleições deste ano, muitos dos que disputam cargos eletivos já exerceram funções públicas. Foram prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores ou ocuparam outros cargos na administração pública.

Para esses candidatos, a campanha não pode se limitar às promessas do futuro.

O eleitor tem o direito de perguntar: "O que você fez quando teve oportunidade de governar ou exercer mandato?" Quais obras realizou? Quais programas implantou? Quais recursos conseguiu? Quais serviços públicos ajudou a melhorar? Quais emendas destinou? Quais projetos apresentou? Quais compromissos assumiu?

E, igualmente importante: O que poderia ter feito e não fez?

A resposta a essas perguntas faz parte do julgamento político que o eleitor fará diante da urna.

A democracia não oferece apenas a oportunidade de prometer. Ela oferece também a oportunidade de prestar contas.

No Rio Grande do Norte, essa discussão deverá ganhar importância durante a campanha.

Ao longo dos últimos anos, recursos federais e estaduais foram destinados aos municípios potiguares para obras, programas e serviços públicos em diversas áreas: saúde, educação, infraestrutura, assistência social, agricultura, segurança, habitação, abastecimento de água, estradas e tantas outras.

Por isso, será importante que o eleitor procure saber quem efetivamente destinou o recurso, quem executou a obra, qual órgão realizou o serviço e de onde veio o dinheiro.

Uma obra realizada pela prefeitura não significa necessariamente que o recurso tenha sido produzido pelo município.

Um equipamento entregue pela administração municipal pode ter sido adquirido com recursos estaduais ou federais.

Uma unidade de saúde pode funcionar sob responsabilidade municipal e, ao mesmo tempo, receber financiamento do Estado e da União.

Uma estrada estadual não se transforma em obra municipal apenas porque atravessa determinado município.

Da mesma forma, uma emenda parlamentar não deixa de ser recurso público porque foi anunciada por determinado deputado.

É preciso separar gestão, execução, financiamento e autoria política.

Essa distinção é fundamental para que o eleitor não seja levado a atribuir exclusivamente a um agente político aquilo que foi construído com a participação de diferentes esferas do poder público.

Existe uma questão ainda mais importante nessa discussão. Quem paga a conta de praticamente tudo isso é o povo. São os cidadãos que financiam o Estado por meio dos impostos, taxas e demais receitas públicas.

O dinheiro utilizado para construir uma escola, comprar uma ambulância, pavimentar uma rua, manter uma unidade de saúde, financiar um programa social ou executar uma obra pública não pertence pessoalmente ao gestor(a). É dinheiro público (do cidadão).

A partir de agora, o eleitor terá condições de confrontar discursos com fatos.

Candidatos poderão apresentar suas realizações e defender seus governos e mandatos. Adversários poderão questionar aquilo que considerarem insuficiente. E a população poderá comparar versões, documentos, números e resultados. Essa disputa faz parte da democracia.

Não basta dizer que determinada obra foi realizada. É preciso que o cidadão possa descobrir quanto custou, quem financiou, quem executou e qual foi a participação de cada esfera de governo. Não basta dizer que determinado benefício chegou ao município. É preciso explicar de onde vieram os recursos. Não basta inaugurar ou entregar uma obra pública e atribuí-la politicamente a uma única pessoa. É necessário reconhecer a participação de todos os entes públicos e, acima de tudo, lembrar que os recursos pertencem à sociedade.

No Rio Grande do Norte, essa discussão naturalmente alcançará os governos federal e estadual e os grupos políticos que disputam as eleições deste ano.

O governo do presidente Lula, assim como o governo da governadora Fátima Bezerra, ambos do PT, deverá apresentar durante a campanha as ações e investimentos realizados no Estado. Da mesma forma, candidatos apoiados por esses grupos - inclusive aqueles que disputarão o Governo do Estado, o Senado e a Câmara dos Deputados - deverão apresentar suas próprias trajetórias e realizações.

Se determinado grupo político reivindica para si uma obra realizada com recursos estaduais ou federais, o eleitor deve ter o direito de perguntar: qual foi exatamente a participação daquele grupo na obtenção e execução do recurso? É assim que se combate a desinformação.

A campanha eleitoral também é uma oportunidade para desmontar versões políticas que, durante anos, podem ter sido repetidas sem o devido esclarecimento. Por exemplo: se o governo do estado e/ou federal financiou determinadas obras nos municípios, isso precisa ser dito, pois são realizações financiadas, direta ou indiretamente, pela sociedade.

Assim como os candidatos têm o direito de mostrar aquilo que fizeram, os adversários têm a prerrogativa de apontar aquilo que deixaram de fazer, desde que dentro dos limites da legislação eleitoral e com informações verdadeiras. Um ex-prefeito, por exemplo, será lembrado pelo que fez, mas também pelo que não fez.

A partir de 28 de agosto, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno, permanecendo até 1.º de outubro, conforme o calendário eleitoral de 2026. Será mais uma oportunidade para que os candidatos apresentem suas propostas, suas histórias e suas realizações.

O cidadão não é apenas alguém que recebe uma propaganda eleitoral. É quem paga a conta. É quem financia o funcionamento do Estado. É quem escolhe os governantes. É quem sofre as consequências de uma boa ou de uma má administração. Por isso, o eleitor brasileiro precisa aproveitar a campanha de 2026 para exigir informações e comparar fatos.

A legislação eleitoral permite a propaganda, mas impõe limites. A internet, por exemplo, está liberada para a propaganda eleitoral desde 16 de agosto, mas conteúdos falsos, manipulações e determinadas formas de utilização de inteligência artificial estão submetidos a regras específicas. O TSE também reforçou a regulamentação sobre conteúdos sintéticos e IA.

As eleições de 2026 não devem ser apenas uma competição para saber quem consegue produzir a propaganda mais atraente. Devem ser uma oportunidade para que a população conheça a trajetória de cada candidato.

Aos(às) prefeitos(as) que, por conveniência política, vêm escondendo ou omitindo da população a participação dos governos estadual e federal em obras, serviços e investimentos realizados em seus municípios, fica o alerta: a partir de agora, será cada vez mais difícil esconder a verdade. A campanha eleitoral é o momento de abrir a caixa-preta das realizações públicas e mostrar quem fez o quê, de onde vieram os recursos e qual foi a participação de cada ente federativo. Atribuir exclusivamente ao município - ou, pior, à própria administração - aquilo que foi viabilizado com recursos e ações dos governos estadual e federal é uma forma de distorcer a realidade para obter vantagem política. E aqueles que fazem isso precisam estar preparados para responder às perguntas dos eleitores. O povo, que paga a conta por meio dos impostos, tem o direito de conhecer a verdade sobre cada obra, cada serviço e cada investimento realizado com o seu dinheiro, principalmente em seu município.