quarta-feira, 20 de maio de 2026

Prefeita de Almino Afonso-RN proíbe queima de fogueiras na zona urbana durante o período junino; tradição segue liberada na zona rural

Prefeitura de Almino Afonso-RN publicou o Decreto nº 024/2026 proibindo a queima de fogueiras na zona urbana do município durante o período junino. A medida, assinada pela prefeita Jéssica Lourine de Assis Amorim (MDB), tem como principal objetivo proteger a saúde pública, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, como asma, bronquite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

Segundo o decreto, a fumaça produzida pelas fogueiras pode agravar problemas respiratórios e aumentar os riscos à coletividade, sobretudo na área urbana, onde atualmente existe uma concentração maior de residências e circulação de pessoas. O descumprimento da determinação poderá resultar em sanções administrativas previstas na legislação municipal.

A decisão reflete uma realidade muito diferente daquela vivida em décadas passadas. Antigamente, as cidades do interior nordestino possuíam menos habitantes, menos veículos e uma dinâmica urbana mais aberta, o que fazia das fogueiras um elemento quase natural das celebrações juninas. Hoje, com o crescimento das cidades e o aumento dos problemas respiratórios e ambientais, muitas prefeituras têm buscado equilibrar tradição e saúde pública.

Mesmo diante das restrições, o simbolismo das fogueiras continua profundamente ligado à cultura e à religiosidade do povo nordestino. Nas pequenas cidades do sertão, acender a fogueira nas noites de Festa de Santo  Antônio, Festa de São João e Festa de São Pedro representa fé, devoção e encontro entre famílias e vizinhos.

A tradição atravessa gerações e carrega significados históricos e religiosos. A fogueira de São João, por exemplo, remete à tradição cristã segundo a qual Isabel teria acendido uma fogueira para avisar Maria sobre o nascimento de João Batista. Já no sertão nordestino, ela também se tornou símbolo de acolhimento, fartura e união comunitária, iluminando ruas e terreiros durante as noites festivas de junho.

Embora a proibição gere debates entre os defensores das tradições culturais, muitos reconhecem que os tempos mudaram e que adaptar costumes às necessidades atuais tornou-se um desafio necessário para preservar tanto a saúde da população quanto o espírito das festas juninas.