A decisão da Copa Regional de Futsal Messias Rufino/2026, realizada no último sábado, 18 de janeiro de 2026, no Ginásio Poliesportivo Zilmar Leite Dantas Filho, em Almino Afonso-RN, foi marcada não apenas pelo resultado dentro de quadra, mas também por uma série de questionamentos envolvendo a organização do evento, a falta de transparência e os prejuízos causados ao FUTSAL local.
O único momento em que o público compareceu de forma satisfatória foi justamente na final da competição, disputada entre Chelsea de Mossoró-RN e Belém de Brejo do Cruz-PB, que terminou com vitória do Chelsea por 4 a 2. Nos jogos da primeira fase e nas demais etapas do torneio, as arquibancadas permaneceram praticamente vazias, evidenciando o baixo engajamento do público ao longo da competição.
Apesar de ter sido amplamente divulgada como uma competição “gratuita”, equipes participantes relataram a cobrança de uma taxa de inscrição no valor de R$ 800,00 por equipe. Além disso, o público que compareceu à final foi surpreendido com a exigência de 1 kg de alimento não perecível para ter acesso ao ginásio, medida que não foi anunciada previamente. Até o momento, não houve divulgação oficial informando o destino dos alimentos arrecadados, o que reforça as críticas quanto à ausência de transparência.
O torneio foi organizado pela Prefeitura Municipal de Almino Afonso-RN e utilizou integralmente a estrutura pública do município, incluindo servidores, material esportivo, iluminação, manutenção do ginásio e demais custos operacionais, todos financiados com recursos públicos. Diante disso, moradores, atletas e desportistas questionam a inexistência de informações claras sobre arrecadações, despesas e a real finalidade social do evento.
Outro fator apontado como determinante para o esvaziamento das arquibancadas foi o formato da competição. Com apenas nove equipes participantes, a forma de disputa previa que apenas uma equipe fosse eliminada ainda na primeira fase, o que reduziu o nível de competitividade. Segundo jogadores e pessoas ligadas ao futsal, o baixo nível técnico das partidas acabou afastando o público e contribuindo diretamente para o fracasso da competição.
Esse cenário contrasta com a história do futsal em Almino Afonso-RN. Durante 18 edições consecutivas, realizadas tradicionalmente no mês de janeiro, a Copa Regional de Almino Afonso-RN, organizada por Jean Garotinho e Glaydson Magno, transformou o município em referência no Rio Grande do Norte, atraindo equipes e torcedores também do Ceará e da Paraíba. Mesmo com inscrições pagas e cobrança de ingressos, o ginásio sempre esteve lotado, reflexo do alto nível técnico, da credibilidade do evento e do trabalho construído com dedicação, parcerias e amor ao esporte.
Segundo relatos de desportistas locais, a atual gestão municipal decidiu criar um novo torneio nas mesmas datas e horários de um calendário esportivo já consolidado, apropriando-se de uma tradição construída ao longo de mais de duas décadas. Para muitos, a mudança teria sido motivada por questões políticas alheias ao esporte, o que acabou enfraquecendo um evento que levava o nome do Município de Almino Afonso-RN para todo o cenário regional.
Jogadores também levantam comparações importantes: a antiga Copa Regional oferecia uma premiação menor, porém com alto nível técnico e grande prestígio. Já a Copa Messias Rufino apresenta uma premiação superior, mas mesmo assim enfrenta a recusa de equipes tradicionais em participar e apresenta um nível técnico considerado muito abaixo do esperado.
O resultado, avaliam atletas, torcedores e desportistas, foi a descaracterização de uma tradição esportiva, o afastamento do público, o desinteresse das equipes e a perda de visibilidade do município no cenário do futsal regional.
Diante dos fatos, cresce o apelo por mais transparência, respeito à história esportiva local e planejamento responsável na realização de eventos públicos, especialmente quando envolvem recursos do município e impactam diretamente a cultura esportiva de Almino Afonso-RN.