Em um pronunciamento emocionado realizado na sessão de ontem (29/08/2025) na tribuna popular da Câmara Municipal de Almino Afonso-RN, Lourrany, moradora e, na ocasião, também representando a comunidade do Sítio Carvoeiro e áreas vizinhas, expressou a indignação dos moradores sobre um problema que se arrasta por mais de duas décadas, ou seja, o lixão de Almino Afonso-RN.
Localizado no Sítio Carvoeiros, a menos de 50 metros da rodovia (RN 074) - que fica entre os municípios de Rafael Godeiro/RN e Almino Afonso/RN - e a poucos metros de diversas residências, o local não passa de um depósito descontrolado de lixo, a céu aberto, sem qualquer tipo de cobertura ou controle, o que caracteriza um perigo para a saúde e o meio ambiente.
Apesar de a prefeita chamar o local de "aterro", a realidade é bem diferente. Não existe qualquer infraestrutura adequada, como drenagem, e o lixo acumula-se de maneira irregular, criando um ambiente insalubre e perigoso para a população. A falta de controle é a porta de entrada para doenças graves, especialmente respiratórias, agravadas pelas queimadas frequentes no local. Essas queimadas, que liberam substâncias tóxicas como monóxido de carbono, dioxinas e furanos, atingem diretamente a saúde dos moradores.
Dois casos representativos foram trazidos à tona por Lourrany, que evidenciam os danos irreparáveis causados pela exposição constante ao lixão. O caso de Daiane Martins de Lima, uma jovem com deficiência que sofre com crises respiratórias agravadas pelas queimadas, é um exemplo claro do sofrimento enfrentado pela população. Já o caso de um senhor com mais de 60 anos, que lida com uma doença pulmonar crônica, ilustra o quanto a saúde de quem mora nas imediações do lixão tem sido prejudicada ao longo dos anos.
O lixão também é responsável por atrair a proliferação de insetos e animais peçonhentos, como cobras, baratas e ratos, representando um risco ainda maior para crianças e idosos, que são os mais vulneráveis a essas ameaças.
Além do mal-estar causado pela fumaça e o odor desagradável, o lixão também recebe resíduos do município de Rafael Godeiro-RN, incluindo lixo hospitalar e restos de animais de açougues. Esses materiais irregulares aumentam ainda mais o risco de contaminação do solo e da água, colocando em perigo toda a comunidade. Para agravar a situação, as queimadas frequentemente geram explosões, devido à variedade de materiais descartados sem nenhum controle técnico.
Lourrany também criticou a nota divulgada pela Prefeitura sobre o incêndio ocorrido em 27 de agosto de 2025, que, segundo a administração municipal, teria sido causado por um incêndio criminoso. Segundo a comunidade, essa justificativa é uma tentativa de minimizar um problema recorrente, e que, ao invés de ser tratado com seriedade, é atribuído a terceiros sem um esclarecimento real. O fato de a prefeita afirmar que foi "surpreendida" com o incêndio não condiz com a realidade, uma vez que as queimadas no local são frequentes há mais de 20 anos.
Diante dessa situação insustentável, a comunidade do Sítio Carvoeiro exige uma solução definitiva para o problema do lixão.
Entre as principais reivindicações estão: A desativação imediata do lixão; a recuperação ambiental da área, com a descontaminação do solo; a destinação correta de todos os resíduos acumulados; a instalação de um aterro sanitário adequado; a responsabilização da Prefeitura Municipal pelos danos causados à saúde pública; a proteção especial aos moradores mais vulneráveis, como idosos, crianças e doentes crônicos; e a investigação dos riscos de explosões e outros perigos no local.
Lourrany concluiu seu discurso pedindo aos vereadores que tomem providências urgentes e concretas, pois a comunidade não aguenta mais viver em uma situação de abandono. O sofrimento dos moradores do Sítio Carvoeiro é um reflexo de uma gestão pública que não tem dado a devida atenção à saúde e dignidade de seus cidadãos.
A comunidade se uniu e, como forma de pressão, elaborou um abaixo-assinado, que será entregue à Câmara Municipal. As assinaturas representam o clamor dos moradores, que exigem uma solução imediata e justa para o problema do lixão.
Por fim, esse espaço também manifesta seu repúdio aos vereadores que rejeitaram o projeto do vereador Júnior de Mourão, que propunha a transmissão pública das sessões da Câmara. Impedir que a população tenha acesso a discussões tão relevantes como essa é uma atitude que vai contra a transparência e o direito à informação, fundamentais para uma gestão democrática e participativa.